sábado, 13 de janeiro de 2024

48. Senegal, Mariama Bâ, Une si longue lettre, maio de 2022

Senegal, Mariama Bâ,


Une si longue lettre
, lido em maio de 2022

Mariama Bâ (1929 – 1981) foi uma autora e feminista senegalesa, que escreveu em francês, que foi a língua em que li o seu livro, facilmente adquirido na Amazon. Nasceu em Dacar e foi educada como muçulmana, mas cedo começou a criticar a forma de tratamento dada aos dois sexos, fruto das tradições africanas. Criada pelos avós, devido a morte prematura da mãe, teve de lutar pelo direito à educação porque não acreditavam que as raparigas devessem ser escolarizadas. Tornou-se professora e foi ativista pelos direitos das mulheres. Ensinou 12 anos, mas deixou o ensino por motivos de saúde para um lugar na Inspeção da Educação. Casou três vezes, a última com um membro do Parlamento, mas divorciou-se novamente e ficou com a educação de nove filhos a cargo, cinco deste último casamento.  

No seu livro, Une si longue lettre, exprime a sua frustração com o destino das mulheres africanas a resignarem-se com a existência de dependência. Em forma de carta, a protagonista, Ramatoulaye, escreve a uma amiga a contar como é ser viúva e ter de partilhar o luto com a mulher mais jovem do marido. É um livro breve e triste, que relata alguns dos costumes desta sociedade, como a poligamia e a desigualdade de direitos. Gostei, é simples de ler, mas triste, por tudo o que implica. Recebeu o prémio Noma em 1980. Morreu no ano seguinte sem ter visto publicado o seu segundo romance, Un chant écarlate, que recebeu o prémio literário da África negra de ADELF em 1982. Morreu aos 52 anos de cancro.

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