Moçambique,
Pauline Chiziane, Balada de amor ao vento, lido em outubro de 2021Nem por acaso. Li esta autora no início do mês e ela recebe o Prémio Camões!
Paulina Chiziane, de 66 anos, foi a primeira moçambicana a publicar um livro, este mesmo que li, em 1990. É um livro aparentemente simples e poético, com uma linguagem algo culta, mas interrompida por vocábulos locais, alguns merecendo uma nota, quanto a mim, para a compreensão da realidade ser meaior. Fala da condição da mulher numa sociedade muito machista.
Esta é a história de amor de Sarnau e Mwando. Sarnau fica deslumbrada pelo aluno dos padres jesuítas, que lhe corresponde e abandona o projeto de ser padre. No entanto, ela foi escolhida para casar com o rei Nguila e é isso que faz, até porque Mwando se afasta e casa também com uma rapariga de pele mais clara e rica. A vida de Sarnau não é tão boa como ela esperava, pois vive em poligamia e tem de partilhar o marido com outras mulheres, algumas nada bem intencionadas. Assim que engravida, é suplantada por Phati. É nessa altura que Sarnau volta a encontrar Mwando e o inevitável acontece...
No início, acompanhamos uma Sarnau adolescente, há conversas com amigas com o tom habitual. Assistimos a práticas da vida em comunidade, com o que têm de bom e mau. A certa altura, Sarnau reflete sobre a grande vantagem da poligamia: não há crianças órfãs nem abandonadas; pode não se sentir segura nem amada, mas os filhos poderão sempre contar com algum amparo. No entanto, na sua vida dura, vai aprender a contar consigo e com os filhos que entretanto terá. Os dois amantes voltarão a estar na mesma fase da vida ou terão perdido a sua oportunidade de vida a dois?
É uma história de uma vida em África ainda durante a colonização, em ambientes rurais, em que vacas são dadas como dote e têm de ser devolvidas caso o casamento se desfaça, uma sociedade de feitiçaria e hábitos ancestrais. Fala-se depois de viver numa cidade e de vender no mercado, da educação das crianças, do peso dos colonos. É interessante e poético, mas um pouco frangmentário, como uma balada cantada. É, como diz o título, uma espécie de canção sobre as voltas do amor. Gostei bastante, não me parece que tivesse lido algo semelhante e certamente lerei mais livros da autora. Podem saber mais sobre ela
aqui e
aqui.
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