quinta-feira, 13 de maio de 2021

11 - Itália, Elsa Morante, A ilha de Arturo

Elsa Morante nasceu em Roma em 18 de agosto de 1912 e morreu em 25 de novembro de 1984. Começou a escrever contos em várias publicações, incluindo publicações infantis nos anos 30. O seu primeiro livro de contos foi publicado em 1941, Il Gioco Secreto. Nesse ano casou com o escritor italiano Alberto Moravia através do qual contactou com uma variedade de gente das letras e cinema. O seu livro mais famoso é La storia, passado num período da II Guerra.

A ilha de Arturo foi-me aconselhado no final do primeiro ano da faculdade, quando pedi sugestões de leitura a uma das professoras de Introdução aos Estudos Literários. Na altura, ficou fora do meu orçamento da Feira do Livro e nunca mais o tinha voltado a ver. Encontrei-o numa promoção há uns três ou quatro anos e ainda não o tinha lido. A professora que mo tinha recomendado falou-me da paz que transmitia (tal como alguns dos outros sugeridos, de que apenas recordo agora O livro de San Michele, de Axel Munthe).

Este livro custou-me a ler. Tem uma prosa muito poética, cheia de belas imagens, estabelece um tempo próprio, um ritmo lento e encantatório, o que nem sempre ajuda a uma leitura rápida. O livro foi publicado em 1957 e situa-se nos anos antes da II Guerra. 

Arturo é órfão de mãe desde o nascimento e vive em grande liberdade e de forma selvagem na ilha da Prócida perto de Nápoles. O seu pai é o seu herói e modelo, completamente idealizado, mas ausenta-se durante longos períodos de tempo para parte incerta e em atividades ignoradas. Educado por um criado e deixado livre desde cedo, vagabundeia pela ilha, inebriado por leituras e sonhos de heroísmo. Um dia, o pai traz com ele a nova esposa de 17 anos, a quem Arturo, de quase 15, acaba por se afeiçoar. Estes sentimentos vão provocar um tumulto que obriga Arturo a tomar certas decisões, nem sempre acertadas. A formação afetiva de Arturo não se faz de forma fácil e sofre algumas desilusões, nomeadamente com o pai, que de ideal pouco tem. Espera-o uma certa fuga a um paraíso que o avançar na adolescência estragou. O ambiente é irreal e ideal, tendo-me levado a pesquisar sobre a Prócida, de que nunca tinha ouvido falar. O ambiente social é pobre, os hábitos rústicos e algo primitivos. A vida das mulheres é estereotipada, ou aquilo que se esperava das mulheres na altura: tratar das crianças (pouco, são deixadas à vontade), da casa e da comida. No entanto, a avó de Arturo, alemã e professora, escapa desta ideia, sendo, no entanto, pouco simpática.

Para além da leitura lenta, também me agradaria saber mais sobre o pai e sobre o futuro das personagens.
Para quem associa este livro a Ferrante, nada tem a ver, além da época e área geográfica. Morante tem uma escrita encantatória que nada tem das violências de Ferrante. No entanto, os sentimentos que acabam por explodir são violentos, porque se trata da aprendizagem de um jovem. É um romance de aprendizagem, afinal de contas.
Creio que esta leitura é apenas satisfatória e não a considerei boa ou excelente. No entanto, a poesia da escrita coaduna-se com o espaço.


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