Elsa Morante nasceu em Roma em 18 de agosto de 1912 e morreu em 25 de novembro de 1984. Começou a escrever contos em várias publicações, incluindo publicações infantis nos anos 30. O seu primeiro livro de contos foi publicado em 1941, Il Gioco Secreto. Nesse ano casou com o escritor italiano Alberto Moravia através do qual contactou com uma variedade de gente das letras e cinema. O seu livro mais famoso é La storia, passado num período da II Guerra.
A ilha de Arturo foi-me aconselhado no final do primeiro ano da faculdade, quando pedi sugestões de leitura a uma das professoras de Introdução aos Estudos Literários. Na altura, ficou fora do meu orçamento da Feira do Livro e nunca mais o tinha voltado a ver. Encontrei-o numa promoção há uns três ou quatro anos e ainda não o tinha lido. A professora que mo tinha recomendado falou-me da paz que transmitia (tal como alguns dos outros sugeridos, de que apenas recordo agora O livro de San Michele, de Axel Munthe).
Este livro custou-me a ler. Tem uma prosa muito poética, cheia de belas imagens, estabelece um tempo próprio, um ritmo lento e encantatório, o que nem sempre ajuda a uma leitura rápida. O livro foi publicado em 1957 e situa-se nos anos antes da II Guerra.
Arturo é órfão de mãe desde o nascimento e vive em grande liberdade e de forma selvagem na ilha da Prócida perto de Nápoles. O seu pai é o seu herói e modelo, completamente idealizado, mas ausenta-se durante longos períodos de tempo para parte incerta e em atividades ignoradas. Educado por um criado e deixado livre desde cedo, vagabundeia pela ilha, inebriado por leituras e sonhos de heroísmo. Um dia, o pai traz com ele a nova esposa de 17 anos, a quem Arturo, de quase 15, acaba por se afeiçoar. Estes sentimentos vão provocar um tumulto que obriga Arturo a tomar certas decisões, nem sempre acertadas. A formação afetiva de Arturo não se faz de forma fácil e sofre algumas desilusões, nomeadamente com o pai, que de ideal pouco tem. Espera-o uma certa fuga a um paraíso que o avançar na adolescência estragou. O ambiente é irreal e ideal, tendo-me levado a pesquisar sobre a Prócida, de que nunca tinha ouvido falar. O ambiente social é pobre, os hábitos rústicos e algo primitivos. A vida das mulheres é estereotipada, ou aquilo que se esperava das mulheres na altura: tratar das crianças (pouco, são deixadas à vontade), da casa e da comida. No entanto, a avó de Arturo, alemã e professora, escapa desta ideia, sendo, no entanto, pouco simpática.

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