Maha Aktar nasceu em Beirute em 1962 e vive nos EUA. É escritora e jornalista. Tem uma forte relação com a Andaluzia, pois foi bailarina de flamenco. Escreveu livros sobre os seus antepassados líbios, destacando-se A neta da Mahrani, o seu livro de estreia, em 2009. O livro que li é de 2012, numa edição brasileira da Planeta do Brasil.
Foi a capa da edição que me atraiu. Sugere um espaço agradável, feminino, que inspira confidências.
No entanto, este livro começa de forma pouco auspiciosa, lembrando uma novela cheia de gente fútil e vazia, mas vai-se compondo. Através do salão de beleza Cleópatra, numa Beirute a reconstruir-se (depois da guerra de 2006 com o Hezbollah), acompanhamos Mouna, que tenta manter o seu salão aberto e sustentar a mãe e a tia após perder todo o resto da família num bombardeamento. O seu sonho é casar e ser sustentada. No entanto, após algumas desilusões, começa a afirmar-se e a ganhar confiança em si própria. De mulher fútil e namoradeira, vai passar a ter algum amor próprio e a ser uma pessoa mais interessante.
Neste salão, vão cruzar-se por acaso algumas outras mulheres cujas vidas iremos descobrir: Imaan, embaixadora do Líbano no exterior, mulher poderosa que se debate com um casamento infeliz; Nina, a órfã que singrou na vida trabalhando com afinco; Lailah, a filha de um rico empresário e antiga miss, com um casamento de fachada e uma vida fútil e vazia; Nadine, a filha de um diplomata, casada por amor com alguém pouco valorizado; Amal, a misteriosa empregada de Mouna e sua trágica história.
Entre as tradições e a modernidade de um país devastado por uma guerra que nunca termina, com campos de refugiados sírios e problemas sem resolução à vista, dividido pelas várias religiões, aprendemos um pouco sobre um país que era sofisticado e avançado e passou por uma guerra cujas marcas nunca desaparecerão. A pobreza de alguns, a corrupção e o luxo e ostentação de outros coexistem. As personagens são ricas e interessantes, apesar de algumas serem um pouco incompletas ou mudarem de forma pouco natural. Os estereótipos são muitos, especialmente no caso das personagens masculinas. Quanto a mim, há personagens a mais, o que se torna por vezes confuso, algumas têm pouca importância e há pormenores que ficam esquecidos. Os ambientes são ricos, há referências a comidas, confusão de rua e pormenores cativantes e estes aspetos agradaram-me. Apesar de não ser uma obra prima, desperta interesse e lê-se facilmente. Há muitas personagens femininas fortes que suscitam curiosidade sobre o que lhes vai acontecer. Pela negativa, muito glamour e futilidade num país em ruínas.
Líbano aqui.
Sem comentários:
Enviar um comentário
Obrigada pela participação!