Venezuela, Karina Sanz Borgo, Cai a noite em Caracas
Este livro é um murro no estômago, chega-se ao fim com uma sensação de sufoco como se tivéssemos estado lá.
A nossa protagonista é Adelaida Falcón, de 38 anos. Trabalha como tradutora, tendo uma atividade limitada, devido ao estado de revolução. Acabou de enterrar a mãe, vítima de cancro, que a falta de dinheiro não deixou tratar melhor, ou minorar o sofrimento. Também para o enterro é necessário despender uma soma imensa de dinheiro que Adelaida custa a reunir, deixando-a sem nada nem ninguém, numa cidade imersa em violência.
Ao regressar a casa, encontra-a ocupada por um grupo de mulheres, «revolucionárias» à ordem do regime. Procura refúgio em casa de uma vizinha a quem todos chamam «a filha da espanhola»; encontra-a morta em casa e a uma carta que informa Aurora Peralta da autorização para um passaporte espanhol. Sem saber o que fazer, Adelaida tece uma forma de se escapar de uma cidade em estado de sítio onde não vislumbra futuro.
É um livro sufocante, em que nos colocamos perfeitamente no lugar da protagonista e pensamos: e se fosse connosco? Que partes deste romance são reais ou não? A autora acrescenta uma informação referindo que tudo é ficção. No entanto, parece-me, pelo que li e investiguei, que este romance será baseado em factos reais, o que o torna mais assustador. A Venezuela que tantos emigrantes nossos atraiu, em tempos, está novamente em desagregação. Li comentários no Goodreads que chamam «propaganda» a este livro. É um romance com uma escrita clara, um ritmo envolvente e um assunto que me tocou.

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